Por uma melhor Saúde!
28/09/2011 por jose.antunesUma avaliação recolhida pelo Diário de Notícias (DN) publicada no dia 24 de Setembro revelou que o Médico é a principal fonte de informação. Cerca de 75% dos inquiridos revela aconselhar-se junto dos clínicos, enquanto que um quarto admite utilizar a internet como fonte de Informação.
Solicitar uma opinião de um Médico sobre o estado de Saúde ou sobre qualquer sintoma anormal constitui a fonte mais exacta em oposição aos conteúdos presentes na Internet cuja bibliografia muitas vezes é pouco fundamentada. Para a obtenção desta opinião clínica o utente tem duas vias: a privada por intermédio do pagamento da consulta que pode alcançar os 100€ ou pela via do SNS, incorrendo no máximo pagamento da taxa moderadora. Nesta última pode ainda consultar a linha Saúde 24 que é promovida como a primeira instancia a recorrer nestes casos.
Na Internet é recorrente encontrarmos informação errada e até contraditória sobre algumas metodologias e procedimentos para o tratamento de certas enfermidades que conduzem, por vezes, à formulação de ideias vagas e incorrectas sobre o estado de saúde da pessoa. Desta forma devemos ser cautelosos na busca de informação sobre as dúvidas que mazelam a nossa saúde.
Algo deve ser feito relativamente ao preço taxado abusivamente pelos médicos. São frequentes os casos de cidadãos que na procura de soluções recorrem à clínica privada pagando preços exorbitantes por uma pequena consulta de opinião de quinze minutos.
O acesso à informação quer em Saúde quer em outro qualquer sector deve ser livre e de confiança. Este acesso não pode estar blindado por possibilidades financeiras nem estar dependente de instituições secundárias. Instituições de conhecimento avançado como as Universidades e as Escolas Técnicas de Saúde poderão ser os parceiros ideais na construção de ferramentas de informação que facultem ao utente uma informação sincera, objectiva e fidedigna.
O DN revela ainda que 20% dos inquiridos aceitariam um SNS pago e não universal, em referência ao Barómetro “Os Portugueses e a Saúde”, cujos resultados serão publicados na íntegra no próximo dia 27 Setembro. Cerca de 17% chega mesmo a admitir que não existem condições para manter o acesso grátis e defendem que este serviço deve ser pago de acordo com os rendimentos do utilizador. De igual forma, 23.7% concorda que quem já tem acesso a subsistemas ou seguro provados de Saúde não deve usufruir de acesso gratuito ao SNS.
O imparável aumento dos preços com os recursos humanos e com os recursos materiais/consumo clínico tem aumentado exponencialmente a Dívida na Saúde. Como a Saúde é um sector onde é pouco provável gerar lucro directo, estamos a caminho de uma situação incomportável das contas públicas. Se não conseguimos reduzir a despesa em Saúde, resta-nos tomar medidas de segundo plano: renegociar contratos de fornecimento de material de consumo clínico, reorganizar a rede de fornecimento de medicamentos apelando à investigação e produção medicamentosa nacional e instruir nos planos curriculares de formação dos jovens matérias e disciplinas que forneçam mais conhecimentos em saúde e incrementem a consciência sobre o efeito negativo da prática de comportamentos de risco e adversos ao estado saudável da pessoa. Com maior sentido de responsabilidade pela sua saúde, os cidadãos apresentariam indicadores de saúde e de qualidade vida mais positivos.
Quanto à utilização do SNS, os Portugueses revelaram uma perspectiva negativa de 23,5% sobre o sector da Saúde em Portugal. Apenas 15,2% admitiu estar satisfeito, um valor que tem vindo a subir nos últimos tempos. Estes resultados estão influenciados pelas expectativas que os utentes têm sobre o seu estado de saúde e a forma como evolui o seu estado de doença/saúde ao longo do processo de vida. A título de exemplo, por muitos bons cuidados de saúde que recebam os utentes, se o seu estado de saúde piora por razões estritamente fisiopatológicas, estes tendem a emitir a ideia de que algo melhor podia ter sido feito pelos profissionais de saúde. No entanto, as correlações que se possam estabelecer com a qualidade dos cuidados de saúde recebidos pelos profissionais de saúde, não podem ser ainda traçadas pela ausência de outros dados que garantam conclusões mais objectivas.
É necessário mais e melhor informação mas também é necessária uma consciencialização e um sentido de responsabilidade pela nossa Saúde. Muitas doenças como a Hipertensão ou a Diabetes surgem, não por carga genética possuída ou por influência do processo de degeneração do organismo, mas sim pela prática de estilos de vida/consumo incompatíveis com a nossa saúde que podiam ser evitados por vontade própria.
Não basta exigirmos um SNS mais equitativo e mais rigoroso. Antes disso, também nós temos que ter comportamentos mais equitativos e mais rigorosos para com a nossa Saúde.
A JSD Oeiras propõe:
- Implementação de planos de estudos nos currículos escolares que contemplem a educação para a saúde, desmistificando crenças falsas sobre patologias e introduzindo a prática de comportamentos de vida saudáveis;
- Revisão das dietas promovidas nas cantinas escolares, abolindo a distribuição de produtos cujo consumo contribui para o aumento da taxa de obesidade infantil, juvenil e adulta;
- Criação de propostas de lei que regulem a restauração na proximidade das escolas aplicando taxa extras sobre as empresas de venda de alimentos fast food, nessas localidades;
- Reformulação do conceito do site saude 24 (Proposta a ser apresentada futuramente pela JSD Oeiras ao Ministério da Saúde e Comissão de Saúde do Grupo Parlamentar do PSD);
- Incentivar as Escolas Públicas e Privadas no âmbito da formação graduada em Saúde a fomentarem acções de formação nas escolas, juntas de freguesia e demais sítios públicos de maneira a informar cada vez mais e melhor os cidadãos;
- Criar um Programa Nacional de Formação Básica em Saúde em que os Cidadãos recorrendo ao seu Centro de Saúde da sua área de Residência adquirem formação em Suporte Básico de Vida e informação sobre as principais epidemias que afectam a população Portuguesa nos últimos 10 anos (proposta a ser apresentada futuramente pela JSD Oeiras ao Ministério da Saúde e Comissão de Saúde do Grupo Parlamentar do PSD).
